A Estratégia Vencedora de Expansão da Netflix

Jose Gaspar Nayme Novelli

7/11/2018

Em recente análise produzida pelo blog da Harvard Business School, discute-se a estratégia de globalização da Netflix que estava presente  apenas nos EUA em 2010. Sua atuação alcançou 60 países em 2015 e neste ano saltou para 190 países.

Hoje, dos 130 milhões de assinantes, 73 milhões (56%) são de fora dos EUA.

Portanto, além de crescer exponencialmente, a Netflix tem fora dos EUA sua maior base de clientes. Dois marcos, dois desafios a cumprir de forma sustentável.

O que potencializa tal expansão? Avanços na tecnologia? Não somente, pois este recurso está disponível no ambiente para todos os players. Agressividade nas ferramentas de mídia? Não, pois ela não investe mais que as demais gigantes do campo digital, como Facebook, Google etc.

A estratégia de globalização da Netflix é única, como de fato deve ser a formulação de todas as estratégias de empresas.

Se fizéssemos uma análise das 5 forças de Porter – atratividade do negócio – surgiriam algumas barreiras de entrada que poderiam ser impeditivas da operação num primeiro momento. Algumas delas: (1) os conteúdos da Netflix são em inglês e a maior parte do mundo não fala inglês; (2) a cultura de alguns países é resistente a legendas e em alguns países a taxa de analfabetismo (inclusive funcional) é alta; (3) a arquitetura regulatória e tributária difere segundo o país ou bloco econômico; e (4) há disponibilidade de conteúdos gratuitos em muitos países, com ou sem a complacência de Estados com relação a práticas de pirataria.

Portanto, argumentos consistentes poderiam fazer a Empresa bater em retirada e se concentrar em países centrais ou emergentes. Mas não foi isso que aconteceu.

A Netflix define como marco estratégico a execução de 3 estágios para seu processo de expansão.
Na primeira fase, ela estuda e seleciona cuidadosamente os países nos quais procura estar. Nunca realiza expansões em massa. Procura conhecer em profundidade os locais e aprender com experiências anteriores. Em seguida, faz uma análise de atratividade do local para identifica fatores alavancadores e restritores de sua proposta de valor. E por fim, faz ajustes na apresentação de seus serviços de acordo com as características locais (disponibilização de número maior de línguas legendadas, personalização de algoritmos, parcerias para operação e pagamentos, maior número filmes dublados).

A Netflix adota como premissa de seu trabalho a realização de parcerias locais seja na área de operações seja na de produção, estimulando a geração de conteúdos autóctones; hoje são 17 países, inclusive o Brasil, adotando a visão “local-for-global”.

Como ensinou o mestre Phillip Kotler há 20 anos: “Pensar Globalmente e Agir Localmente”! A Netflix apreendeu a lição.

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Wagner: Está de parabéns a forma que ela cresceu e se vence desempenhando em curto espaço de tempo uma estratégia em tempo certo na hora certa