Administração Estratégica e Planejamento Estratégico

Jose Gaspar Nayme Novelli

Em sala de aula, alguns alunos me perguntam se existe e qual a diferença entre os conceitos de planejamento estratégico e administração estratégica.

Minha resposta imediata é que esta discussão encontra-se datada, em face do surgimento e implementação de novas teorias de formulação e pensamento estratégico nascidas nos últimos vinte anos, aspecto que abordarei nos próximos posts.

Porém, para que a questão – hoje quase histórica! – não fique sem resposta seguem alguns comentários a respeito.

As reflexões mais consistentes sobre “administração estratégica” vêm de Igor Ansoff, chamado o “pai da gestão estratégica”. Até então, estratégia era sinônimo de plano, o ato de olhar o ambiente e descrever a direção futura num formato cartesiano e limitado. A proposta da administração estratégica vai além da vinculação ao ambiente, aprofundando a análise crítica das condições atuais da empresa para atuação no futuro. Incorpora também a ideia de necessidade de implementação das mudanças, não se restringindo mais aos planos.

A rigor, a administração estratégica não muda as concepções do planejamento estratégico. Mantém-se o ato de planejar, o que significa continuar fazendo parte da estrutura do novo modelo de estratégias. A administração estratégica procura arquitetar condições favoráveis para implementação dos planos, visando produzir algum resultado concreto do processo.

A administração estratégica acresce capacitação estratégica, uma visão da estratégia como ferramenta para ação. Embora o planejamento estratégico lide com fatos, idéias, probabilidades, a administração estratégica acresce aspirações e capacidades de gestão, dando ênfase a mudanças na organização, procurando abordar a realidade em seu todo.

A administração estratégica, apesar de ampliar significativamente os pressupostos básicos do planejamento estratégico, não os repudia.

Longe de ignorar os avanços que a administração estratégica trouxe para a melhor compreensão e adaptação da empresa a novos contextos, não houve ruptura conceitual (paradigmática) entre planejamento estratégico e administração estratégica, mas o desenvolvimento de novos conceitos frutos de uma mesma base.

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