Lições da Aplicação da Estratégia do Oceano Azul

Jose Gaspar Nayme Novelli

A “Estratégia do Oceano Azul” nasceu da pesquisa de Kim e Mauborgne (HBR, 2005) a partir de uma pergunta certeira: Como descobrir e criar espaços de atuação no mercado que apresentem ao mesmo tempo novas ofertas de valor a clientes (atuais e potenciais) e alto retorno econômico? Com base em pesquisas de casos de sucesso e fracasso ao longo de alguns anos, os autores desenharem a imagem dos oceanos vermelho e azul. O primeiro relacionado a um ambiente de negócios marcado pela competitividade predatória, no qual o foco se restringe a conquista de clientes da concorrência e, portanto, de reduzidas margens de ganho. O segundo, azul, traz a imagem de um mercado novo, mais calmo e tranquilo, criado por uma nova estratégia de atração de clientes que propõe agregar novos benefícios a um preço proporcionalmente menor, o que atrairia tanto clientes que se encontram no oceano vermelho, quanto novos clientes, fora deste mercado.

Na esteira do livro, que se tornou um bestseller, vieram palestras, cursos um novo livro em (A Transição para o Oceano Azul, Sextante, 2017) e uma empresa de consultoria, a “Blue Ocean Global Network” (BGON), uma comunidade global de prática sobre a família de conceitos Blue Ocean, que abrange acadêmicos, consultores, executivos e empregados de áreas públicas (https://www.blueoceanstrategy.com/about-the-authors/).

O negócio “A Estratégia do Oceano Azul” cresceu a tal ponto que foi instituído em 2014 um prêmio anual – International Blue Ocean Awards – para o reconhecimento de empresas empreendedoras que buscam criar novos espaços de mercado (oceanos azuis). Apesar da pandemia do Covid-19, a edição de 2021 atraiu mais de 450 empresas, que enviaram os resultados da adoção deste modelo de negócios estratégicos.
Os vencedores da edição das empresas tiveram em comum o fato de inovarem nos negócios, agregando benefícios a um preço competitivo, atraindo novos clientes. No website da BGON encontram-se as empresas e as iniciativas inovadoras (https://mail.google.com/mail/u/0/#inbox/FMfcgzGkXwCFBxpNPhFBGftDcJWVJtTg):
• Tarmac Technologies, operando na Europa e nos Estados Unidos, conecta os participantes da indústria aeroportuária (companhias aéreas, aeroportos, subcontratados e empresas de manuseio de carga) com uma solução 100% digital única e fácil para rastrear e otimizar as operações de manuseio de aeronaves durante as escalas, com o objetivo de reduzir atrasos de voos.
• SUN Mobility, operando em quatorze grandes cidades da Índia, fornece uma solução de infraestrutura de energia para frotas elétricas, baterias inteligentes e estações de intercâmbio rápido, conectadas juntas. O serviço é baseado na tecnologia de troca de bateria que aborda questões-chave associadas à mobilidade elétrica, como custos, autonomia e tempo de recarga, para acelerar o acesso à mobilidade elétrica, principalmente em países emergentes.]

O levantamento dos cases vencedores ao longo das sete edições mostrou que o valuation dos vencedores aumentou em média dez vezes e até 40 vezes com a incorporação de novas soluções baseadas na Estratégia do Oceano Azul.

Há outros modelos que propõem o desenho da estratégia baseada em inovação. Todas convergem para uma direção: agilidade na formulação de estratégias, valorização de ideias desafiadoras e viabilidade econômica por meio da reunião de novos e atraentes benefícios ajustados a preços relativamente mais baixos. Lições que startups vitoriosas já nos ensinaram.

Instagram