Missão e Visão de Futuro na Era das Startups e da Inovação Acelerada: uma reflexão preliminar

Jose Gaspar Nayme Novelli

6/08/2019

A missão e a visão de futuro são tópicos que há mais de 50 anos encontram-se no planejamento estratégico. Ansoff (1965), Steiner (1969) e Ackoff (1971) construíram a base do que hoje se chama a “Escola do Planejamento” (Mintzberg et al, 1998) na estratégia empresarial. O pilar deste modelo pressupõe que o controle do processo formal de planejamento, associado à divisão entre o pensar e o executar, conduz à implementação de objetivos, ações e orçamentos.

Nesse modelo, missão e visão de futuro são faces de uma mesma moeda, não só singularizando o papel de uma dada organização no mercado (missão), mas também, delineando seus principais desafios num determinado período (visão). A incorporação de ambas as descrições no processo de elaboração do planejamento estratégico se tornou etapa obrigatória, quase um selo de garantia de qualidade do documento estratégico.

Entretanto, incorporação de tecnologias disruptivas e mudanças no padrão de consumo, nos últimos anos, alteraram substancialmente o patamar de competitividade das organizações, além de reconfigurarem os parâmetros de alcance de vantagem competitiva.

O modelo de negócio orientado para inovação e agregação de características de custo e diferenciação combinadas alteraram profundamente o direcionamento da proposta de valor ao cliente, consumidor ou usuário, e a forma de conceber e implementar o planejamento estratégico.

O futuro se tornou mais próximo, a forma de execução se tornou mais relevante, o padrão de excelência operacional mais rigoroso e a inovação menos concentrada, abalando o papel norteador da missão e da visão no planejamento estratégico, por representarem descrições monolíticas e estáticas.

Os trabalhos de Mintizberg et al (1998), Whittington (2006) e Reeves et al (2015), relacionados ao mapeamento de categorias distintas de pensar, elaborar e executar estratégias, e os de Rumelt (2011) e Govindarajan (2016), associados à vinculação de inovação e estratégia, mostram que o sucesso de uma estratégia não está condicionado à elaboração da missão e visão.

Emergiram nos últimos anos, proposta de análise e elaboração de estratégias com foco tanto na identificação do propósito de um determinado negócio no mercado (Reiman, 2013; Kim e Mauborgne, 2005 e 2017), quanto na execução (Bossidy e Charan, 2005) das ideias contidas no plano, com baixa ênfase na formulação de enunciados da missão e visão.

Compreender com mais detalhes a contribuição do propósito e da execução nas estratégias em ambientes que demandam ofertas de valor diferenciadas, com excelência operacional, em lugar de enunciados nas estratégias, por vezes ambíguos e genéricos, ganha corpo no meio acadêmico e empresarial.

É necessário, portanto, aprofundar a discussão da atualidade de missão e visão de futuro para as organizações. Quais os benefícios decorrem da formalização de ambas as descrições num contexto de acelerada transformação e competitividade? Suas características básicas limitam a aplicabilidade e as tornam meramente figurativas?

A seguir, são descritas as obras utilizadas na elaboração deste post.

ACKOFF, Russel. A Concept of Corporate Planning. New York: John Wiley & Sons, 1970.
ANSOFF, Igor. Corporate Strategy. New York: McGraw-Hill, 1965.
BOSSIDY, Larry e CHARAN, Ram. Execução: a disciplina para atingir resultados. Rio de Janeiro, 2005.
GOVINDARAJAN, Vijay. A Estratégia das 3 Caixas: como fazer a inovação acontecer. São Paulo: HSM Editora, 2016.
KIM, W. e MAUBORGNE, R. Blue Ocean Strategy how to create uncontested market space and make competition irrelevant. Boston: Harvard Business School Publishing Corporation, 2005.
_________________________. A Transição para o Oceano Azul: muito além da competição. Rio de Janeiro: Sextante, 2017.
MINTZBERG, H. et al. Strategy Safari: a guided tour through the wilds of strategic management. New York: The Free Press, 1998.
REEVES, Martin et al. Sua Estratégia Precisa de uma Estratégia. São Paulo: DVS Editora, 2015.
REIMAN, Joey. Propósito: por que ele engaja colaboradores, constrói marcas fortes e empresas poderosas. São Paulo: HSM, 2013.
RUMELT, Richard. Estratégia Boa, Estratégia Ruim: descubra suas diferenças e importâncias. Rio de Janeiro: Elsevier 2011.
STEINER, George. The Management Planning. New York: Macmillan, 1969.
WHITTINGTON, Richard. O que é Estratégia. São Paulo: Thomson Learning, 2006.