Novas tecnologias e desemprego: uma nova onda surgindo?

Jose Gaspar Nayme Novelli

Parece que começamos a viver uma nova onda de restruturações no mercado de trabalho originária da introdução de novas tecnologias de informação, assim como ocorreu nos anos 1990.

Alguns números levantados pelo Financial Times mostram um recuo persistente, nos últimos anos, nos EUA, nas vagas abertas para funcionários de escritório com funções burocráticas; tendência que pode desembarcar em pouco tempo no Brasil.

Embora, em 2012, os EUA tenham experimentado redução na taxa de desemprego e aceleração no processo de recuperação econômica, a renda média das famílias caiu 5,6% desde junho de 2009. Aparentemente, esta relação parece um tanto contraditória, porém ocorre que novas tecnologias vêm sistematicamente eliminando salários e empregos da classe média, tais como de digitadores, caixas, contadores etc.

Oportunidades vinculadas a funções que envolvem serviços rotineiros de produção e transação (“empregos burocráticos”) vêm perdendo terreno para ocupações que demandam maior nível de complexidade e interação de disciplinas. Por exemplo, a função de auxiliares de enfermagem domiciliares, em economias desenvolvidas, vem tendo aumento expressivo. O Valor Econômico cita o número de 390 mil vagas abertas para atendentes de cuidados pessoais nos EUA desde 2007 .

Com a perspectiva de restruturação do mercado de trabalho também no Brasil, é com preocupação que se lê os números da última edição da Revista Exame acerca da qualificação dos profissionais brasileiros. Além da eliminação de empregos rotineiros, o trabalhador (a) brasileiro (a), mesmo aquele com qualificações específicas para funções de rotina de baixo valor agregado de conhecimento, pode também sofrer o impacto de encontrar-se fora do mercado de trabalho pela ausência de competências profissionais específicas.

Dentre outros tópicos, segundo aquela publicação:
• O Brasil está aquém da média dos países em desenvolvimento na formação de sua própria mão de obra qualificada entre a população de 25 a 34 anos com formação universitária (7%, quando a média é 13%, ressaltando que o Chile conta com 24%);
• Baixo intercâmbio de estudantes de gradução com centros de ensino estrangeiros (Programa Governamental Ciência sem Fronteiro avança como solução, porém foi adotado há pouco tempo).

É fato que a tecnologia não só traz impactos sociais significativos, marginalizando bolsões de profissionais sem qualificação adequada, mas também traz consequências para o desenvolvimento econômico do País, na medida em que parte da população não se encontra preparada para assumir novas oportunidades no mundo do trabalho, acarretando efeitos na competitividade do País.

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