O que você precisa saber de Design Thinking para Inovar

Jose Gaspar Nayme Novelli

Para desafios complexos, soluções abrangentes e multidisciplinares. Dessa forma, Tim Brown (Design Thinking: uma metodologia poderosa para decretar o fim das velhas ideias, Elsevier), um dos principais consultores de design e inovação do mundo, resume o motivo para utilizar novas perspectivas no desenvolvimento de novos negócios.

O termo “design” remete a expressar percepções. E percepções remetem à experiência. A adoção do design thinking como método para gerar inovações produz resultados por meio de um processo rico em experiências, o que o torna mais produtivo e mobilizador para os participantes que os processos tradicionais.

A premissa é simples: há necessidades de consumidores que precisam ser satisfeitas a partir dos recursos disponíveis no ambiente, considerando as restrições práticas que o viabilizam. Para resolver esta equação, é necessário “pensar diferente” a busca por soluções, com mais inspiração e idealização do que encontramos nos tradicionais processos de concepção de novos negócios.

O que mais gosto no design thinking é a ideia central de que o problema é complexo enquanto a solução é simples, ou seja, deve-se investir tempo e esforço na análise de necessidades (existentes ou latentes) de clientes (atuais ou futuros) que não são exploradas por empreendedores, considerando (Este ponto é fundamental no DT!) o que é POSSÍVEL e VIÁVEL ser feito num futuro próximo. Boas ideias surgem à profusão num debate, porém poucas se concretizam em protótipos e um número muito menor é levado a desenvolvimento. Mas, quando se chega ao final, a solução pode ser revolucionária!

O “pulo do gato”, portanto, é a habilidade de traduzir observações em insights e insights em produtos viáveis. Novamente, sem inspiração não se vai longe. Inicia-se o processo com o levantamento de muitas ideias, que depois serão consolidadas em categorias agrupadas segundo um mesmo padrão, extraindo-se aquelas que deem melhor resposta ao problema inicial (necessidade do cliente).

Tim Brown apresenta no seu livro algumas dicas para o desenvolvimento da metodologia que podem ser muito úteis. Selecionei aquelas que considero mais relevantes (e desafiadoras).

• Comece pelo início. O design thinking (DT) começa com a divergência, visando gerar uma variedade de opções.
• Abomine qualquer restrição ao pensamento.
• Assuma uma abordagem centrada no ser humano. O DT equilibra as perspectivas dos usuários, da tecnologia e dos negócios.
• Observe como as pessoas se comportam, suas experiências e contextos, tentando identificar necessidades não declaradas, traduzindo-as em oportunidades. Tim Brown orienta que certos tipos de perguntas determinam o sucesso de um novo produto ou serviço: Ele satisfaz as necessidades do público alvo? Cria significado além do valor? Inspira novos comportamentos que serão sempre associados a ele?
• Fracasse logo, fracasse com frequência. Os líderes devem incentivar a experimentação e aceitar que não há nada de errado com o fracasso, desde que se torne fonte de aprendizado e aconteça no início do processo. Por isso, a importância dos testes de protótipos.
• Compartilhe inspiração, engaje sua rede interna.
• Misture projetos grandes com pequenos. Não existe uma solução genial para inovação. Pense mais como uma série de pequenas soluções. Gerencie um portfólio diversificado de inovação, variando ideias incrementais com revolucionárias.
• Ajuste o orçamento ao ritmo da inovação. Deve-se estar preparado para repensar a programação financeira à medida que os projetos avançam.
• Procure talentos. Identifique, desenvolva e os deixe livres para fazer o que fazem de melhor.
• Não pergunte o quê, mas por quê. Perguntar o porquê é uma oportunidade de reformular o problema. (“Queremos carros mais rápidos ou um transporte melhor?”) Não há nada mais frustrante que sair com a resposta certa para a pergunta errada.
• Abra os olhos. Inovação começa com observação, inclusive e especialmente das práticas diárias. Dê mais atenção às coisas ao seu redor. Não assuma o óbvio.
• Visualize. Registre visualmente suas observações e ideias. Faça um esboço ainda que grosseiro no caderno ou câmara de celular.
• Exija opções. Não se contente com a primeira boa ideia. Explore muitas opções. Se isso não ocorrer é porque você não foi divergente o suficiente no início.

Acredito no design thinking como método para prover soluções a problemas em qualquer campo da gestão. Projetos, processos, estratégia, governança são algumas áreas em que foi aplicado e trouxe ótimos resultados, pois atribui destaque tanto para a descrição do problema quanto para a proposta de resposta/solução.

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