Por que algumas PMEs cresceram na crise?

Jose Gaspar Nayme Novelli

11/09/2018

A última edição da EXAME (setembro 2018) trouxe matéria sobre a pesquisa “As PMEs que Mais Crescem no Brasil”, elaborada anualmente pela Deloitte.Mais de 250 empresas que faturaram entre 5 milhões e 500 milhões de reais se inscreveram para o levantamento e 100 delas se destacaram.

A pergunta básica é: O que é comum em algumas empresas que as fizeram crescer em média 29% no período de 2015 – 2017, no auge da crise econômica mais prolongada da história do Brasil?

Evidente que cada uma tem características próprias de mercado e gestão que as destacam dos concorrentes. Mas há aspectos comuns que servem como dicas valiosas sobre opções estratégicas que deram certo.

Primeiro, a transformação digital é a base sobre a qual se assenta o crescimento, seja para empresas do mercado tradicional seja para aquelas inseridas em novos negócios. O uso de ferramentas de inteligência artificial e blockchain alavanca os negócios.

Outra característica que chama a atenção é que muitas empresas que se destacaram no faturamento estão voltadas para oferecer mais eficiência e redução de custos, bem como a criação de formas inovadoras para aproximar o relacionamento com clientes.

Quando perguntadas sobre as principais dificuldades observadas em 2017, 72% afirmaram que foi o aumento do preço de fornecedores. Acredito que este item se sobressaiu em razão de as empresas não poderem repassar seus custos de produção, em especial fornecedores, ao preço. Não por outra razão o segundo item de maior dificuldade foi a queda de renda dos clientes (69%) e o terceiro as altas taxas de câmbio (65%). Este último traz impacto na estrutura de custo e o outro impede o repasses automáticos de custos aos clientes, em face das restrições de demanda. Ainda se destacou a falta de mão de obra qualificada (51%).

A pesquisa elencou o foco das iniciativas adotadas. E novamente destacou-se o binômico eficiência de custos e melhoria de relacionamento com clientes para expansão de vendas e áreas de cobertura.

Concluindo, a pesquisa retrata aspectos exaustivamente tratados nas simulações de planejamento estratégico realizadas nos meus cursos de MBA: radicalizar o grau de eficiência operacional para dar folga à estrutura de custos; debruçar-se sobre os pilares que formam o propósito da empresa/instituição; e focar na experiência do cliente no processo de relacionamento com a empresa/instituição.