Qual a maior competência para pensar estrategicamente?

Jose Gaspar Nayme Novelli

25/10/2019

O Pensador -Auguste Rodin

Você deve estar pensando, eventualmente, que nunca foi ou será um estrategista. Resposta errada! Todos somos estrategistas, mas nem todos queremos ser. Estrategista é muito mais “ser” que “estar”, ou seja, depende mais da sua forma de pensar que da posição ou cargo que ocupa numa instituição. Há empresários sem visão estratégica e empregados com clareza sobre as perspectivas do negócio em que atuam.

Há também aqueles que, embora pensem estrategicamente, não sabem executar as ideias; ainda outros que sabem como ninguém viabilizar seus objetivos, sem se preocupar com elaborações prévias.

Não importa em quais desses segmentos você se identifica; mais relevante é em qual você gostaria de estar.

Então vamos lá! O estrategista é aquele que trabalha com uma estratégia, que a define e a coloca em prática. E o que é uma estratégia? Milhares de páginas já foram escritas buscando defini-la e outras tantas milhares estão ainda para ser escritas.

Estratégia sempre existiu, desde que se almeje alcançar um objetivo. Nós humanos, assim como outros animais, começamos pensando em como se proteger de um agressor ou abater uma presa e ao longo do tempo desenvolvemos a habilidade de criar, de pensar diferente para buscar resultados. Simplificando (e, confesso, bota simplificação nisso!), estratégia tem a ver com optar por uma ação dentre inúmeras outras possíveis para ser colocada em prática num período de tempo futuro (que pode ser daqui a 1 minuto). Pronto!

Certamente, você, como eu, que não é executivo de uma grande empresa internacional, nem nunca foi presidente de um país ou líder de uma seita religiosa, em algum momento teve de escolher um caminho para uma ação futura. Então você foi um estrategista, pois estratégia se refere a escolher agora o que fazer num momento posterior. Como disse, não é tão complicado. Agora, o “pulo do gato”: o difícil não é definir suas escolhas, mas sim quais critérios você levará em conta e como viabilizar sua escolha na prática. A boa notícia, você, portanto, é um estrategista; a má notícia, você pode ser um estrategista brilhante ou medíocre. E aí vem a resposta à questão do título. Vamos a ela!

Há mais de vinte anos convivemos conectados à internet e há uns dez anos não conseguimos imaginar a vida sem os aplicativos. Conectados parece que estamos sempre. Se estamos parados, estamos conectados; se estamos em movimento, procuramos nos conectar, mesmo que às vezes isso possa significar risco de vida. O fato é que estamos atrás de informação o tempo todo e muita gente nos oferecendo um monte delas. A maioria, contudo, insignificante; algumas nos faz pensar, mas pouquíssimas fazem sentido e podem trazer alguma mudança na nossa vida, inclusive profissional.

Depois de muitos anos de estrada aprendendo e praticando estratégias, buscando aperfeiçoar o “ser estrategista”, percebi que o mais difícil não é escolher o caminho ou saber colocar em prática aquilo que havia pensado. Difícil mesmo é selecionar as informações que servirão de base para elaborar os resultados pretendidos. No meio de tanta notícia, vídeos, dados, textos, livros, posts, etc. quais aquelas que me fazem pensar a respeito?[

Profissionais que se diferenciam são aqueles que fazem as perguntas certas e para conseguir fazê-las é preciso ter as informações certas. Não se preocupe tanto com as respostas, desenvolva a capacidade de fazer perguntas, o que lhe exigirá a prática da mais difícil das artes atuais: fazer a mineração do 1% que você recebe e que lhe será útil na elaboração das questões que definirão o seu caminho no futuro. E as outras 99%? Jogue fora, não perca tempo com elas!!!

Considero, portanto, a maior competência profissional hoje saber ler no ambiente as informações que são relevantes para futuro. Tente!